quinta-feira, 9 de julho de 2015

Nelsinho Piquet: “alívio define o que eu senti naquele momento”

Esporte/Terra

Em entrevista exclusiva ao Motorsport.com, o campeão da temporada de estreia da F-E fala sobre a temporada, o título e as escolhas da carreira

Nelsinho Piquet vive um grande momento profissional após se sagrar o primeiro campeão da F-E, categoria que atraiu milhares de fãs de automobilismo e se consolidou já no ano de estreia. O brasileiro, no entanto, passou por momentos difíceis durante a carreira até reencontrar o caminho das vitórias e reescrever a própria história no mundo da velocidade.
Em entrevista exclusiva ao Motorsport.com, Nelsinho falou sobre os primeiros passos após a saída da F1 até chegar à temporada vitoriosa na F-E, definindo a conquista do título como um alívio depois de todos os problemas enfrentados. Confira as palavras do piloto brasileiro:

Dúvidas quanto ao futuro da carreira após a saída da F1?

“De jeito nenhum. A única coisa que me assustou um pouco é que eu perdi um pouco daquele sonho, daquele tesão que eu tinha de vencer. Meio que deu uma desanimada. Não tinha mais aquele fogo que eu sentia nas categorias anteriores, então me senti um pouco desanimado. Mas voltei a sentir isso na Nascar, a partir do momento em que eu realmente comecei a entender o carro, quando eu corri em Daytona pela primeira vez, realmente aquilo lá voltou. Dali em diante não tive mais esse problema.”

Nascar: uma escolha errada?

“Depende. Se for para olhar pelo lado de escolher correr em um lugar no qual eu poderia ganhar dinheiro, ganhar meu salário todo ano, a Nascar foi um erro. A categoria é realmente muito difícil para um piloto internacional, pois os patrocinadores sempre vão para pilotos americanos. Eles não estão interessados em levar pilotos internacionais para lá, de jeito nenhum. Mas pelo lado da experiência, foi fantástico. Se eu pudesse voltar e correr sem me preocupar com patrocinadores, eu voltaria. As corridas são muito difíceis. É uma corrida de pilotos, não é uma corrida de carros, como é a Fórmula 1.”

Início na F-E

“Quando chegamos à China, eu tinha acabado de assinar um contrato para apenas cinco corridas. A equipe era pequena, simples. Não era uma equipe com um grande patrocinador, estrutura estabelecida e planejamento completo, como outros times do grid. No nosso caso, tudo aconteceu na última hora, então nossa desvantagem já começava ali. Então a primeira corrida foi um pouco desastrosa, apesar de eu ter pontuado. Para ser sincero, comparando o conhecimento que tínhamos do carro naquele momento com o que temos hoje, eu fico surpreso com o fato de termos cruzado a linha de chegada. Não fazíamos ideia de como economizar bateria, de como fazer a bateria trabalhar da maneira mais eficiente possível. Sabíamos ajustar o carro para uma volta rápida, só isso.”

Momentos fundamentais: aprendizado com a bateria e extensão do contrato

“Após a prova na China, eu me reuni com a equipe e, sabendo que eu tinha mais quatro chances de mostrar serviço, sugeri que procurássemos alguém que tivesse experiência e pudesse nos ajudar a entender como lidar com a bateria. Contratamos dois engenheiros alemães, que começaram a trabalhar conosco a partir da segunda corrida. Eles entenderam rapidamente como o carro funcionava e nos ajudaram bastante. Então os resultados vieram, eu consegui um pódio já na terceira corrida do campeonato. Entender o funcionamento da bateria foi fundamental para nós.”
“Na semana da prova de Punta (del Este), em que conquistei meu primeiro pódio, eu nem sabia se iria correr. Um dos motivos para eu assinar o contrato de cinco corridas foi a minha patrocinadora dos tempos de Nascar, que entrou na F-E parte como patrocinadora, parte como investidora na categoria. Disse a eles que precisava de uma ajuda extra e eles responderam dizendo que poderiam ajudar com algo suficiente para cobrir cinco corridas, no máximo. O problema é que os pagamentos atrasaram um pouco, o que acabou deixando a equipe um pouco chateada. Mas na última hora o pagamento foi feito e peguei o voo para Punta del Este. Na corrida, fiquei em segundo e a equipe ficou muito feliz. Na prova seguinte (Buenos Aires), a gente fez outro pódio. Depois disso, eles (China Racing) vieram até mim e disseram: ‘vamos fazer o seguinte: vamos rasgar esse contrato e você vai correr até o final do ano’. Eu respondi: ‘está ótimo’. Eles conseguiram outros patrocinadores e, daquele momento em diante, as coisas melhoraram. Então eu pude focar somente na pista.”

Sentimento após confirmar o título da F-E

“Uma mistura de muitas coisas, mas provavelmente ‘alívio’ seja a palavra que define melhor o que eu senti naquele momento. Minha carreira não tem sido muito fácil, pois eu tenho escolhido caminhos um pouco difíceis, categorias muito complicadas – como a Nascar e o Rallycross – todas muito específicas e diferentes daquilo que eu aprendi a vida inteira. Batalhei muito e até consegui vitórias e bons resultados, mas não campeonatos. Isso acabou passando uma imagem para o público de que eu não era um piloto capaz de ser campeão.”
“Foi a primeira vez que eu participei de um campeonato em que os carros eram iguais e todos tinham condições de vencer, basicamente. Então eu tirei proveito disso. Foi um campeonato muito bacana, muito difícil, muito disputado. No final, com bastante estresse e aperto, conseguimos vencer por um ponto.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário