terça-feira, 11 de outubro de 2016

Verba da Saúde do Maranhão pagou vinho e restaurante de luxo, diz PF

Investigados utilizaram de recursos públicos repassados ao Instituto Cidadania e Natureza

Estadão (compartilhamento)


A Polícia Federal descobriu que verbas públicas do Sistema de Saúde do Maranhão bancaram
restaurante de luxo, especializado em venda de vinhos, em São Luís. Relatório da Operação Sermão dos Peixes aponta que um cheque de R$ 15.482,55 com a assinatura de Benedito Silva Carvalho, um dos gestores da organização social Instituto Cidadania e Natureza (ICN), foi sacado da conta bancária da OS para pagar a casa de vinhos OAK by EXPAND.

 A ICN e a organização de sociedade civil de interesse público (OSCIP) Bem Viver – Associação Tocantina para o Desenvolvimento da Saúde – eram as responsáveis pela gestão das unidades hospitalares do Maranhão. Duas fases da Sermão dos Peixes, as operações Voadores e Abscôndito, foram deflagradas na quinta-feira, 6. A PF investiga o desvio de recursos públicos federais do Fundo Nacional de Saúde, destinados ao Sistema Único de Saúde no estado do Maranhão. 

Ricardo Murad
A Sermão dos Peixes apura desvios durante a administração de Ricardo Murad, cunhado da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), na Secretaria Estadual de Saúde. O pagamento da adega de alto padrão foi identificado na análise da microfilmagem do cheque 850375, descontado da conta ICN. Os investigadores descobriram a compra junto à empresa Expand Store, no valor de R$ 15.482,55. “Trata-se de um conhecido restaurante de luxo desta cidade, OAK by EXPAND e adega, localizado na Avenida dos Holandeses, n 2, quadra 10 — Calhau – São Luís-MA, especializado na venda de vinhos”, destaca o delegado Wedson Cajé Lopes, que subscreve o relatório da PF.

 A investigação da PF mostra que o desvio das verbas dos hospitais era realizado por meio do desconto de cheques de contas bancárias das unidades hospitalares e posterior depósito nas contas de pessoas físicas e jurídicas. “Apesar de curiosa, a leitura do cheque demonstra que enquanto a população sofria com um sistema de saúde precário, os investigados se davam ao luxo de utilizarem dos recursos públicos repassados ao ICN para o custeio de despesas numa adega de vinho, o que robustece ainda mais os indícios de que os gestores do ICN tratavam as verbas públicas como se deles fosse”, diz o documento.



Nenhum comentário:

Postar um comentário